De uma hora para outra, a sua vida passou a ser um mar de listas. Lista de prioridades, lista de coisas a fazer, 10 mandamentos. Ela tinha certeza que essa quantidade grande de enumerações serviram para treiná-la para uma lista grande, e complicadíssima, que deveria ser feita logo.
Afinal, quantas pessoas eu posso chamar para minha festa? Como dividir a lista entre os pais dos noivos e os próprios noivos? Por onde começar a se organizar?
E essas perguntas eram só para começar.
Para facilitar sua vida, ela resolveu primeiro criar um método próprio para fazer a lista.
"Inicialmente, a lista deve ser uma lista despreocupada", ela pensou, "colocando absolutamente todo mundo que gostaria de convidar".
Pediu que tanto seus pais, quanto seus sogros fizessem uma lista assim. A lista do noivo foi feita em conjunto com a dela, também de forma despreocupada.
Então, todas as listas foram reunidas e agora, claro, era necessário começar a cortar.
Na verdade, ela não sabia as porcentagens que deveriam caber para cada família. Mas, resolveu definir o seguinte método, que anotou em letras garrafais e prendeu na parede:
1.Cada um (noivos e pais) devem fazer suas próprias listas despreocupadas.
2. Somar e ver se há nomes repetidos, eliminá-los e depois contar o total.
3. Definir o número real de convidados pretendido.
4. Ver quanto da lista despreocupada precisa ser eliminada para caber no número real de convidados.
5. Dividir a quantidade de convidados que precisam ser eliminados proporcionalmente a cada lista. Ou seja, a lista maior teria um corte maior em números absolutos, mas proporcional aos cortes das outras listas.
Ela sabia que havia pessoas que não podia deixar de convidar, e se questionava se era realmente necessários chamar absolutamente toda a sua árvore genealógica, e a árvore genealógica dos seus pais e avós.
Bom, mas não adiantava discutir nada naquele momento. Nada estava decidido ainda, e faltava muito para o final da negociação da lista de convidados. Estava só começando.
No fundo, o que ela queria mesmo era uma festa menor, principalmente para seus amigos e de seu noivo, e os amigos mais próximos de seus pais e dos pais do noivo, que conheciam o casal.
Mas, com o passar do tempo, e das primeiras discussões, antes mesmo da lista começar a ser escrita, foi percebendo que não conseguiria que as coisas fossem assim.
Afinal, segundo sua mãe, casamento é uma festa de família. Não é só uma festa dos noivos, mas também de seus pais.
Mais uma vez, os mandamentos que tinha escrito ecoavam na sua cabeça:
“Não posso me esquecer do que eu não abro mão, como também não posso esquecer de quem eu não abro mão”, pensava em voz alta.
No fim das contas, ela relaxou. Tinha plena consciência de que esse era o primeiro circuito de batalhas dentro de uma guerra gigantesca até uma lista ideal para sua festa. O problema estava só começando.
Espero estar na lista!
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